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Projecto Lá Tinha

Projecto Lá Tinha

 
Lá Tinha é um projecto que ensina jovens e crianças a construir câmaras fotográficas artesanais a partir de latas de sardinha e alguns materiais encontrados em casa.
 
 
Criado pelo publicitário Bob Ferraz e o fotógrafo Diego Cunha, o projecto teve início em 2013 no bairro Cova da Moura, onde 12 crianças tiveram a oportunidade de criar as suas próprias câmaras. Segundo os criadores, o grande objectivo é fomentar a criatividade, estimular a autoconfiança e as habilidades manuais. Os participantes nas oficinas são convidados a documentar o seu meio com as câmaras construidas.
 
 
O funcionamento é simples e com base na técnica de pinhole: apoia-se a câmara em algo fixo, um tripé ou até mesmo um muro. Abre-se o "obturador" durante cerca de três segundos (dependendo da quantidade de luz e do ISO do filme), fecha-se e roda-se o filme para a próxima fotografia. Quando o rolo acabar basta recarregar a latinha com um novo.
 
 
O grande trunfo desta iniciativa é a inclusão de jovens de meios desfavorecidos, pois permite-lhes criar um artefacto, fazer a fotografia e ver o resultado final. Esta experiência proporciona aos participantes o primeiro contacto com a fotografia analógica, usando um material tido à partida como lixo.
 
 
Em Setembro arrancará uma nova oficina na Cova da Moura.
 
 
Em baixo um vídeo e algumas fotos dos participantes:
 
 
 

 

 

Projecto Lá Tinha

 

Projecto Lá Tinha

 

Projecto Lá Tinha

 

Projecto Lá Tinha

Via http://projetolatinha.com/, mais fotos no flickr.

 

 

À conversa com Vera Marmelo

Retrato de Vera Marmelo

 

Vera Marmelo nasceu em 1984 no Barreiro, desde 2006 que fotografa com regularidade concertos e músicos portugueses. Já fotografou bandas como You Can't Win Charlie Brown, PAUS ou Orelha Negra. É autodidacta no que respeita a fotografia e dizem que faz parte da mobília da ZDB.

 

 

 

De onde vem o interesse pela fotografia?

Em 2002 começo a fotografar, com uma pequena digital do meu pai, concertos que aconteciam no Barreiro. Não conhecia as pessoas e esta era uma forma de entrar em contacto com elas. Já estava no IST, onde fiz engenharia, quando compro a minha primeira máquina, aprendo a revelar e ampliar no NAF. Nessa altura já era mais regular na movida musical do Barreiro e começava a frequentar alguns concertos em Lisboa. Fotografava cada vez mais, chegava a casa revelava os rolos à noite, na manhã seguinte estavam secos e prontos a digitalizar. Desde sempre que tenho um scanner de negativos. Na verdade a minha ligação à fotografia acontece a par da minha ligação à música. É o meu instrumento, a minha desculpa para estar sempre presente e a minha maneira de contribuir para divulgar os músicos que acompanhava.

 

Como descreves a tua fotografia?

Cada vez mais o feedback que recebo remete para palavras como “intimidade”. A intimidade possível quando estás a fotografar em ambientes de concerto e backstage, óbvio.

Confundo cada vez mais os meus momentos de “vida pessoal” com os momentos em que estou a fotografar, portanto sim, haverá um caracter de proximidade.

 

Que equipamento e lentes usas nas fotos que mostras aqui?

Bronica zenza, uma médio formato, 6x4.5.

 

E películas preferidas?

Ilford HP5. Recentemente tive resultados muito bons com o Ektar da Kodak, o que não é comum. Tenho muito azar com cores.

 

Em concertos usas uma câmara digital, fora disso usas uma câmara analógica. Porque insistes em fotografar com película?

Uso a digital em mais do que concertos. Tenho uma full frame todo terreno e uma lente 50mm apenas.

Uso a bronica, a médio formato, com a lente de 75mm sempre que quero fazer retratos especiais. Sempre que há mais disponibilidade por parte dos fotografados, sempre que quero fazer e ter um momento mais especial com alguém. A opção não acontece pela ideia de fotografar com película. O meu gosto em usar a bronica é mais pela fisicalidade da coisa. Estou convencida que a partir do momento em que não encaro alguém de frente, tendo de me curvar para fotografar, parto de uma posição mais equilibrada e justa entre os dois. Sou obviamente mais lenta e cuidadosa a fotografar com filme. Não temos hipótese de ver os resultados no momento, o que me agrada particularmente e na verdade tento fazer também quando fotografo com a digital. Depois o formato agrada-me bastante. Não gosto do quadrado, o 6x4,5 é perfeito para mim. Deixo sempre a frame preta do negativo a controlar o retrato, não por pudores relativamente aos crops, apenas porque tenho tempo de decidir o que é melhor e como tal sei que quero tudo o que está entre as linhas pretas. Depois óbvio que há uma magia especial nas texturas que se observam quando fotografas com filme, há o inesperado, há a espera (que na verdade não é muita) e há o risco de correr tudo mal e teres a hipótese de te encontrar com o retratado novamente. 

 

E porque não usar uma câmara analógica nos concertos?

Durante uns bons 4 anos fotografei com filme. Fiquei desde então muito poupadinha nos cliques. De quando em quando ainda acabo um rolo ou outro ao vivo. Mas por questões de rapidez e dinheiro prefiro fotografar com a digital. 

 

Ainda processas os teus filmes? Se sim porque ainda o fazes?

Nunca entreguei um preto e branco numa loja. Faço-o porque confio mais em mim do que no tipo a quem dou os rolos, porque assim tenho o rolo que fotografei no sábado pronto a digitalizar no domingo. Faço-o porque fica mais barato e porque são 30 minutos de silêncio, muito raros, a sentir o tempo a passar.

 

Referências na fotografia? algum fotografo decisivo na tua vida para também quereres ser fotógrafa?

Há um músico de que gostava muito há uns 10 anos atrás, o Devendra Banhart. O Devendra tem uma amiga dos tempos de escola que sempre o fotografou. Chama-se Lauren Dukoff e é uma das minhas favoritas. Acho que nem a encaro como uma motivação para fotografar, mais como uma motivação para te juntares a quem fotografas com o coração. Ela faz parte daquele grupo de amigos, de músicos e sentia a urgência de documentar as suas vidas. A Lauren tem a minha idade e tem um início e razões para começar muito parecidas às minhas. O seu trabalho é um exemplo de beleza e simplicidade incrível. Só usa filme. Sempre quis uma mamiya porque é essa a máquina que ela usa.

 

 

O panorama da música indie portuguesa é um nicho, acabas por ficar amiga dos músicos? Achas que essa intimidade torna as tuas fotos especiais?

Obviamente que sim. A minha relação de amizade e proximidade com estas pessoas facilita-me a vida de uma forma incomensurável. Aliás, a minha vontade e disponibilidade para os continuar a acompanhar é justificada pela minha vontade de estar na companhia de pessoas que são minhas amigas e que me tratam tão bem. Havendo essa relação de bem querer, é quase comparável a um pai fotógrafo que tem prazer em registrar a vida do seu filho.

 

 

O que te inspira?

Os meus amigos.

A música que os meus amigos fazem. 

A energia de pessoas, o que as pessoas podem construir de belo, conversas interessantes, pessoas que fazem acontecer coisas bonitas, que fazem as outras pessoas se sentirem bem. 

A beleza e o carisma de desconhecidos.

 

Foto de Espirito Santo por Vera Marmelo

 

Fotos de Joao Canziani por Vera Marmelo

 

Foto de Marcia por Vera Marmelo

 

Foto de Marta Ren por Vera Marmelo

 

Foto de Mila por Vera Marmelo

 

Foto de Lucia Moniz por Vera Marmelo

 

Foto de Pedro Lourenço por Vera Marmelo

 

Foto de Sensi por Vera Marmelo

 

Foto de Thurston Moore por Vera Marmelo

 

Foto de Vince Moon por Vera Marmelo

 

 

Todas as fotografias da autoria de Vera Marmelo e publicadas com permissão.

 

cargocollective.com/veramarmelo 
v-miopia.blogspot.com

 

 

O JOBO 2400

Tanque Jobo 2400

 

Já falámos por aqui da JOBO, a marca germânica que sempre se diferenciou da concorrência devido à sua qualidade e à capacidade de pensar fora da caixa.
 
 
 
Lançado nos anos 70, a pensar no fotógrado que está no terreno, o Tanque Jobo 2400 permite processar um filme de 35mm à luz do dia. Usando este tanque, deixa de ser necessário recorrer à câmara escura ou ao saco de câmara escura para carregar o rolo na espiral, porque esse processo é feito dentro do tanque de um modo engenhoso.  
 
 
 
O tanque necessita de 450ml de solução para cobrir a película por completo. Hoje em dia, não faz muito sentido gastar tanta quimica. O JOBO 1510, por exemplo, precisa apenas de 250ml. Contudo, na altura em que foi lançado, por vezes os filmes eram processados com urgência, para serem enviados para as redacções dos jornais. Assim, não é difícil acreditar que este tanque tenha sido bastante inovador.  
 
 
Mesmo assim, nos tempos que correm, o JOBO 2400 não deixa de ser o ideal para aqueles que têm pânico do escuro, ou para quem nunca se habituou a carregar o filme na espiral.  
 
 
A malta da CatLabs demonstra como se usa o tanque no vídeo a seguir:

 

 

Manual de instruções

 

Festival Revela-T

 

Vai realizar-se de 30 de Maio a 1 junho o festival Revela-T - o único festival dedicado à fotografia analógica do mundo. 
 
O festival vai decorrer na pacata vila histórica de Vilassar de Dalt, que fica a 25km de Barcelona. Conta com mais de mais de 20 exposições, workshops, debates, demonstrações e um espaço comercial com vários expositores. 
 
Já vai na segunda edição e apresenta este ano um painel de oradores com valor reconhecido; das muitas actividades disponíveis nota-se um destaque para processos fotográficos alternativos. 
 
 
O festival pretende ser ponto de encontro de amantes da fotografia, principalmente por fotografia analógica. Uma experiência para criação de sinergias e partilha de conhecimentos sobre fotografia analógica - algo que não vemos muito hoje em dia...
 
 
 
Mais informações aqui
 
 
 
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O leilão do século

hasselblad 500 HEDC vai a leilão

 

A leiloeira Austríaca Westlich tem tradição de ter câmaras únicas nos seus leilões: edições limitadas, protótipos e outras, que ajudaram a fazer a história popular. A edição deste ano não é excepção. O site L-camera forum já o caracteriza como o "Leilão do século", figurando no catálogo câmaras que marcaram a história da Leica, como a Leica Model A (o primeiro modelo a ser comercializado), a Leica 250 ou mesmo um protótipo da Leica M3. São artigos raros e muito apetecíveis para colecionadores.

 

hasselblad 500 HEDC

 

Desta vez, contudo, o leilão envolve um objecto certamente inesperado. A estrela desta edição será esta Hasselblad 500 HEDC - uma encomenda da NASA à mítica marca sueca. Usada por Jim Irvin* na missão Apolo 15, em 1971, para documentar a missão, foi com esta máquina que se tiraram as 299 fotos durante a estadia de 3 dias na lua. Até hoje, continuam 12 Hasselblads perdidas na lua. Os austronautas tinham ordens para deixar os corpos, para assim poderem trazer o peso equivalente em pedras lunares. Não será a única câmara que voltou da lua, mas é uma oportunidade de ter um pedaço de história . A base de licitação são 80.000€ e os leiloeiros prevêm que seja arrematada por mais de 200.000€...

 

ACTUALIZAÇÃO -  O leilão foi ganho por Akikazu Fujisawa, fundador da cadeia de lojas Yodobashi Camera, por 660.000€.

 

 

Fontes:

http://www.auction2000.se/auk/w.Object?inC=WLPA&inA=20130909_1514&inO=494

http://www.collectspace.com/news/news-013114a-apollo-moon-camera-auction.html

http://www.hasselbladusa.com/about-hasselblad/hasselblad-in-space/space-cameras.aspx

 


* segundo a leiloeira.

A câmara escura de Clyde Butcher

foto de Clyde Butcher

Dizer que Clyde Butcher é um fotógrafo de paisagem que usa câmaras de grande formato é redutor. Em Clyde Butcher, tudo é enorme: o filme, a câmara escura e as fotos.  

 

Formado em arquitectura, Butcher decidiu mudar o rumo da sua carreira depois de ver uma exposição de Ansel Adams em Yosemite. Ficou tão impressionado com o trabalho do fotógrafo, que começou a fotografar paisagens a preto e branco. 

 

O choque frontal de um condutor embriagado com o seu filho nos anos 80 foi um evento que o marcou para sempre, levando-o a mudar-se para a Florida e a fotografar exclusivamente em preto e branco, com câmaras de grande formato; principalmente uma Deardorff 8x10''. Até hoje, Butcher tem vindo a documentar extensivamente a paisagem da Florida, com grande enfoque nos Everglades.

 

As fotografias resultantes atingem dimensões murais ( até 1,5x2,5m ) com um detalhe que só é possível devido ao suporte utilizado e à mestria do fotógrafo na câmara escura. O monitor talvez não faça justiça às fotos. Dizem que as fotos impressas de Butcher são de tirar o fôlego!

 

Terminamos com um vídeo em que Butcher faz uma visita guiada à sua câmara escura e ainda uma apresentação inspiradora nas TED talks.

 
 
 
 
Referências:
 
 
 

Documentário Long live film disponível na rede

O documentário que noticiámos aqui, uma produção conjunta de Indie FIlm Lab e Kodak Alaris está finalmente disponível na rede.

 

O que era inicialmente um vídeo de 5-10 minutos para documentar uma viagem, evoluiu para o documentário Long Live Film; em que uma nova geração de fotógrafos norte-americanos falam da sua relação com a fotografia analógica e as razões que os levam a continuar a disparar com filme.

 

Desfrutem!

 

 

A Polaroid 20x24

Edwin H. Land: o fundador da Polaroid

Edwin H. Land: cientista, inventor, empreendedor, visionário...  mais conhecido como co-fundador da Polaroid e criador da fotografia instantânea.

 
Figura marcante da cultura popular do séc. XX, Land mudou o paradigma da fotografia para sempre. Foi capa das revistas Time e Life. Mais recentemente, foi várias vezes comparado com Steve Jobs, pois os trajectos de ambos têm vários aspectos em comum. O próprio Jobs confessou mesmo que Land era uma referência para ele.
 
 
Em 1978, para uma reunião com accionistas, Land pediu ao departamento técnico que criasse uma câmara de grande formato, com o objectivo de demonstrar o potencial dos filmes Polaroid. O resultado foi uma câmara gigante que faz fotos de 20x24" (50x 60cm). 
 
 
Para além de ser um homem carismático, Land tinha também uma visão artística. Assim, possibilitou a vários fotógrafos a oportunidade de usar estas câmaras em troca das fotos produzidas por ela. Nomes como Ansel Adams, Chuck Close, Robert Frank e Andy Warhol contribuíram para a Polaroid Collection. Esta colecção pertenceu à Polaroid Corporation, até 2010, mantendo-se intacta até à data. Foi posteriormente leiloada em New York num processo envolto em controvérsia.
 
 
Das câmaras feitas em 1978, existem actualmente 6 espalhadas pelo mundo. Uma está em New York no estudio 20x24, outra em Cambridge no estúdio de Elsa Dorfman.
 
 
Os dois vídeos que se seguem permitem-nos ver esta mítica câmara em acção:
 

 
 
 
 
 
 
 
Referências:
 
 
 
 

Nos bastidores de Creating Camelot

prova-de-contacto-jacques-lowe
exemplo de prova de contacto de Jacques Lowe

 

Para além das milhares de vidas, prédios e outras casualidades que se perderam no 11 de Setembro de 2001, também se perdeu um espólio de valor incalculável que estava guardado num cofre à prova de fogo no World Trade Center.

 

Nesse cofre estavam 40.000 negativos que Jacques Lowe, o fotógrafo oficial dos Kennedy registou durante três anos. Lowe tinha acesso livre acesso e fotografou desde aparições oficiais a momentos mais intimistas da familia Kennedy.

 

Por sorte, Lowe tinha no seu estúdio de New York um backup com 1.500 provas de contacto. Essas provas de contacto eram uma ferramenta para o fotógrafo que marcava as imagens para publicar com lápis, marcadores ou autocolantes. 

 

 

pormenor de uma prova de contacto: antes e depois

 

Para a exposição Creating Camelot no museu Newseum de Washington, os técnicos tiveram que restaurar as provas de contacto e lidar com todos os problemas implícitos: riscos, pó e sujidade. Foram restauradas mais de 200 imagens das provas de contacto e dessas foram usadas 70 na exposição.

 

Este vídeo mostra um bocado do processo do restauro e os desafios que a equipa enfrentou:

 

 

Para saber mais no blog da Adobe Lex van den Berghe revela mais detalhes de como correu o processo de restauro, e a filha de Lowe fala um bocado da relação do pai com os negativos

 

via Time

 


Camelot

Em contextos norte-americanos, a palavra "Camelot" às vezes é usado para referir com admiração a presidência de John F. Kennedy, como seu mandato foi dito ter potencial e promessa para o futuro, e muitos foram inspirados pelos discursos de Kennedy, visão e políticas .

Na época, o assassinato de Kennedy tinha sido comparado com a queda do rei Arthur. As linhas "Não deixe que ele seja esquecido, uma vez que havia uma mancha, por um breve momento brilhante, que era conhecido como Camelot", do musical Camelot, foram citados por sua viúva Jacqueline como sendo de sua canção favorita da partitura. "Haverá grandes Presidentes de novo", ela acrescentou, "mas não vai haver outro Camelot novamente ... isso nunca vai ser assim de novo". 
in wiki
 
 

Revelar com Cafenol

Começar a revelar a preto e branco em casa de modo pouco regular... Qual o revelador mais adequado? Essa foi a questão que surgiu no inicio, tendo como resposta o Agfa Rodial, esse nobre e fiável amigo de 1891. Conhecido por durar e durar sem se deteriorar por tempo quase indeterminado e relativamente fiável. No entanto, aparece muitas vezes como sendo um óptimo revelador a baixas velocidades, criando bastante grão nas mais altas. E se quiser usar filmes mais sensiveis, o que fazer? Há uma grande gama no mercado, sendo a sua maioria com validade curta ou em pó, tendo-se que fazer 5 litros de cada vez ou métodos menos recomendáveis...


E que tal usar café? Já tinha visto este processo descrito, tendo, segundo alguns, um comportamento semelhante ao Xtol, revelador conhecido. Este "novo" químico, de seu nome cafenol apresenta logo à partida uma série de vantagem: se não usar-se parte dos componentes bebem-se, relativamente barato, à mão e sobretudo ecológico!


Assim, passe-se aos 4 componentes do cafenol:
1. Café instantâneo - O mais fácil. Encontra-se em qualquer grande superfície. No entanto há estudos e testes que comprovam que a qualidade do mesmo poderá ter uma influência (quase imperceptivel) no resultado final. Mas comecemos com um de supermercado.

2. Carbonato de sódio (sem bi no principio) - Já tinha usado na cianotípia, tinha em casa. Chama-se a atenção que é diferente do bicarbonato de sódio, usado na cozinha. Na minha experiência descobri estar presente em duas situações no dia a dia: pó para subir PH nas piscina e soda (leve ou densa). No formato de soda é (era) normalmente usada para lavar apetrechos como barris de vinho e superfícies ligadas à indústria vinícola. Passivel de ser encontrado em lojas ligadas à especialidade e drogarias. Arranjei soda leve em pó numa loja de restauro para móveis a 3,60 euros 1kg. Importante: tem de ser em pó (devido à existência de outras sub tipologias que se apresentam em cristais. Este formato é menos adequadas)

3. Ácido ascórbico, também conhecido por Vitamina C - foi-me sugerido o Celeiro, no entanto, como se poderá imaginar, há mais que um ácido ascórbico e o de ingerir não estará propriamente puro. Assim, para não complicar, preferi comprar numa casa de material para laboratório, a Vlab devido à pressa (um pouco mais caro: 25,30 euros 100 gramas). Encontrei também no Ebay a valores muito mais baixos.

4.Brometo de Potássio - da família do sal, também comprado na mesma casa a 14 euros por 100gr. Como a quantidade é residual, nem vale a pena procurar em mais locais.

 

Receitas

Existem várias receitas disponíveis na internet, tendo acabado num Blog onde as experiências são mais conhecidas e de resultados mais consistentes. O do senhor Reinhold Ele propõe 3 receitas base ajustadas para o tipo de utilização a ser dado. Verifiquei que há toda uma comunidade que se baseia nas mesmas. Se funciona com os outros, funcionará comigo. No blog encontra-se muito exemplos do seu uso. Consegui perceber que a receita mais ajustada para o meu caso, velocidades mais altas, seria a Caffenol CH. No entanto não encontrei nenhum exemplo com o Ilford HP5+ a 400. Assim continuei até encontrar a Bíblia  das receitas de Cafenol. Aqui verifiquei uma variação à receita CH, oferecida pelo senhor Eirik Russell Roberts, a de Caffenol CH(rs). Através da diminuição da quantidade de carbonato de potássio, o PH é mais baixo diminuindo o contraste, melhorando a imagem. Após ver esta imagem, passou a fazer ainda mais sentido.


Preparação

Ao invés de fazer uma "litrada" de revelador, converti os valores para 300ml.
Começa-se por misturar o café numa garrafa com 150ml de água e a parte de carbonato noutra separada com a mesma quantidade. Isto tem por objectivo garantir que tudo estava muito bem diluído antes de juntar ambos os componentes e evitar a reacção logo à partida quando se junta o ácio ascórbico com o carbonato de sódio. Depois, junta-se ambas as soluções e o brometo de potássio. Faço a ressalva que, como a receita convertida só pedia 0.3 gr de brometo de potássio, optei como diluir uma grama em 10ml de água, juntando posteriormente 3ml à solução.

 

Se pensaram, como eu, que temos agora um revelador com cheirinho a café, desenganem-se que aquilo cheira quase a esgoto!

 

Revelação:

 

13 minutos para começar, normalmente. Sem qualquer tipo de alteração do processo.
Há apenas a nota que fiz um passo intermédio de tirar o máximo de cafenol possível com água antes do banho de stop (tornando-o praticamente inútil) para o poder reutilizar este segundo banho em revelações mais "convencionais".

 

Algumas fotos da Canonet carregada com Ilford HP5+ revelado por 13 minutos com cafenol:

revelação com caffenol

revelação com caffenol

revelação com caffenol

revelação com caffenol

revelação com caffenol

revelação com caffenol

 

 

Considerações finais

 

 

Respectivamente ao Rodinal, há, sem dúvida uma melhoria relativamente ao grão; o cafenol é um revelador com resultados interessantes em situações com pouca luz e bastante versátil: várias pessoas estão a usá-lo para revelar C41.

 

 
Posso partilhar que no Blog do senhor Reinhold  (e não só) vi imagens reveladas a 3200 e li comentários de pessoas que depois de usarem Xtol e afins, ao passarem para o cafenol, nunca mais quiseram outra coisa. Além disso isto é uma fórmula que (aparentemente) resulta muito bem em filmes "mais nobres" como os Tri-X e afins.
 
A nível do aspecto, o negativo não apresenta grande diferença relativamente aos outros processos (Rodinal e C41) tendo a densidade relativamente normal, tendo em conta que o usei tanto de noite como num dia de sol na rua (à sombra, está claro). 

 

Para finalizar, há que lembrar que, visto sermos nós a misturar os componentes, torna-se, ao contrário dos reveladores de compra, poder criar uma receita que melhor se adeqúe às nossa necessidades, nomeadamente em assuntos como o contraste. Mais isso serão outras guerras mais à frente!

 


Um agradecimento especial ao Gonçalo Matias, todas as fotos da sua autoria e publicadas com permissão.

 

Referências:

www.caffenol-cookbook.com
caffenol.blogspot.pt