Blogue

Sally Mann

Sally Mann a tirar uma fotografia

"Não é pelo simples facto de se usarem processos tradicionais que as imagens ou obra de alguém passa a ser interessante."

Sally Mann usa processos tradicionais e o seu trabalho é mesmo interessante. A sua fotografia tem um cunho pessoal vincado e sempre retratou o que a rodeava: familia, a quinta e os animais. Reconhece o gosto pelo erro, pelo inesperado que acontece quando trabalha com colódios.

Aqui fica um vídeo inspirador:

Sally Mann from Alexander Joffre on Vimeo.

Primeira revelação E6

Depois de muita pesquisa e alguma preparação, processámos slides na Sagrada Película. Aproveitámos o bom tempo da semana passada para dar uma volta por Aveiro e arredores e queimar um Provia 100F e um Velvia 100.

 

Ingredientes

1 Velvia 100
1 Provia 100F
1 JOBO CPP-2 c lift
1 Tanque JOBO 2521
1 kit tetenal colortec E6 5L
1 Tetenal Protectan
1 par de luvas
 

Procedimento

1-Preparar os químicos

É possível fazer preparações parciais com o kit de 5L da tetenal (mas as medições têm de ser precisas), como esta química tem um tempo de vida curto depois de diluído decidimos fazer uma solução de 500ml para testes, deixando o restante concentrado. Nos químicos concentrados foi aplicado um pouco do gás da tetenal Protectan para minimizar a oxidação. Na medição dos vários reagentes foi usado uma proveta por químico para evitar contaminação.

Segundo o fabricante 500ml dá para processar 6 filmes.

 

2- Carregar os filmes no tanque

Uma espiral da jobo leva dois filmes 120, separados por um clip. Este procedimento tem de ser realizado em completa escuridão e convém ter cuidado com o autocolante que fixa o inicio do filme ao papel protetor.

 

3- Processar

jobo a bombar

A grande vantagem de usar um processador rotativo é a quantidade reduzia de química necessária para cobrir os filmes, no nosso caso são precisos 270ml para processar dois filmes 120. Para além disso o processador mantém a temperatura constante ao longo do processo.

O JOBO CPP-2 demora 90 minutos a estabilizar a temperatura nos 38º, para acelerar o processo foi adicionada água para as lavagens e para o banho maria perto dessa temperatura. O processo E6 tem pouca tolerância a variações de temperatura, pelo que tanto os químicos como a água usada em lavagens têm de ter 38ºC (± 0,5º ). O último banho no estabilizador pode ser feito à temperatura ambiente. 

Os químicos são tóxicos e irritantes em contacto com a pele e com os olhos, é aconselhável usar luvas durante todo o processo.

 

 OBS.Tempo
Pré aquecimento do tanquetanque carregado com filme sem quimica5:00m
Primeiro revelador 

 

 6:30m
Lavar  2:30m
Revelador de cor 6:00m
Lavar 2:30m
Branqueador/Fixador 6:00m
Lavagem final 4:00m
Estabilizador 1:00m
 

Quando os filmes saem do estabilizador têm uma aspecto viscoso e azulado, vão ganhando cor conforme vão secando.

Depois de secar os filmes foram digitalizados com o Epson V500, a seguir alguns exemplos (imagens sem edição):

 

Fuji Provia 100F
Fuji Provia 100F

Fuji Provia 100F
Fuji Provia 100F

Fuji Velvia 100
Fuji Velvia 100

Fuji Velvia 100
Fuji Velvia 100

Fuji Velvia 100
Fuji Velvia 100

 

tags: 

A Platinotipia

 

História

 
A impressão em Platina/Paládio tem uma longa tradição, remontando ao início da história da fotografia, apesar da primeira patente do processo só ter sido registada em Inglaterra em 1873 por William Willis. 
Uma ampla divulgação sucedeu até à 1ª guerra mundial, embora a partir desse período, devido as questões de custo e dificuldade na obtenção de platina e paládio, desviados entretanto para aplicações bélicas, o processo tenha caído no esquecimento até aos princípios dos anos 70. Um artigo da época, do “master printer” George Tice, publicado num volume da Time-Life Books (1972), fez resurgir o interesse por este tipo de impressão como especialidade fotográfica na área das “fine arts”.
 
Fotógrafos como Frederick Evans, Edward Steichen, Paul Strand, Alfred Stieglitz ou Edward Weston, entre outros, foram alguns dos mais importantes utilizadores desta técnica desde o séc XIX. Foi no entanto o grande fotógrafo norte-americano Irving Penn, um dos artistas contemporâneos que mais se destacou, imprimindo com grande mestria em Platina/Paládio, uma parte razoável das suas melhores imagens. 
A utilização por fotógrafos portugueses desta técnica de impressão foi muito esparsa no séc XIX, sendo igualmente rara no séc XX, até aos nossos dias.
 

O processo

 
Os procedimentos de impressão iniciam-se com a escolha criteriosa de um papel de alta qualidade, 100% algodão. Segue-se o seu emulsionamento com uma solução especial de sais de platina e paládio, revelando-se esta operação crítica, porque a referida solução deverá penetrar o papel de forma absolutamente controlada. 
A segunda etapa consiste em expor o papel a luz ultra-violeta em contacto com o negativo do mesmo tamanho da prova, sendo posteriormente processada e lavada. O que resulta de todo este processo, é uma imagem com uma inconfundível atmosfera, formada unicamente com micropartículas metálicas de platina e paládio puros, embebidas nas fibras do papel.
 
Esta técnica de impressão fotográfica, distingue-se de outras pela inexistência de qualquer substracto adicional, tornando-se a imagem parte do papel e na estabilidade química da platina e do paládio. As imagens tornam-se tão permanentes como o papel de alta qualidade que lhes serve de suporte. A sua duração em perfeitas condições, pode ser avaliada na ordem das centenas de anos, tornando as “platina/paládio” muito desejadas tanto por museus como coleccionadores de fotografia.
Poder-se-á destacar ainda a ausência total de brilho, gama tonal muito extensa e delicada, sensação de tridimensionalidade e outros atributos menos tangíveis, que conferem a estas impressões um carácter e luminosidade únicos. 
 
foto de Manuel Gomes Teixeira, todos os direitos reservados
 
 
Neste vídeo vemos o fotógrafo/impressor Manuel Gomes Teixeira que faz o percurso desde o momento em que tira a fotografia até à sua impressão.
 
Embora use métodos tradicionais (com película fotográfica em câmaras de médio e grande formato) tem aliado procedimentos centenários com a tecnologia disponível hoje em dia, aproveitando o melhor do analógico e do digital.
 
O resultado final é inigualável.
 
 

Platinum Palladium Printing with Leica M Monochrom from Luís Oliveira Santos on Vimeo.

 


Manuel Gomes Teixeira

Lisboa,1962.

Fotógrafo e impressor

Exerce actividade como fotógrafo profissional, fundando o seu próprio estúdio( Punctum Studios), em 1989.

Nos últimos anos (desde 1998), dedica-se a métodos e técnicas de impressão fotográfica do séc. XIX, tais como Print-Out-Paper, Colódio Húmido, Cianotipia, Albumina, com especial destaque para a impressão em metais Platinum & Palladium (vulgo,Platinotipia), à qual, no momento, se dedica quase exclusivamente.Embora utilize no seu trabalho filme fotográfico tradicional, investiga a aplicação de técnicas digitais aos processo antigos, nomeadamente, na produção de negativos digitais em suporte de gelatina/cerâmica, fazendo a ponte entre as técnicas tradicionais e as novas tecnologias digitais.

Actualmente, disponibiliza serviço especializado de impressão fotográfica Platinum/Palladium, para fotógrafos, artistas e instituições. Desde 2003, realiza frequentemente Workshops  e seminários sobre o tema.

 

via www.manuelgomesteixeira.com

 

O Daguerreótipo

daguerreótipo

 

Um vídeo bem interessante do fotógrafo de Seattle Dan Carrillho que fala um pouco da sua arte. 

 

 

O fotógrafo diz que hoje em dia, numa sociedade consumista em que tudo é tão imediato, ele tem a certeza que as imagens que faz ficarão depois de ele desaparecer. Num mundo digital em que é tão fácil tirar uma fotografia e é tão fácil esquecê-la, ele tenta fazer algo que perdure.

 

 

Passem pelo flickr e dêm uma olhadela, estas chapas têm alma!

 

Dan Carrillo: Daclotype from Patrick Richardson Wright on Vimeo.

Processos fotográficos alternativos

George Eastman House criou uma série de filmes em que explica a história e contexto dos principais processos quimicos na fotografia. Do daguerreótipo à impressão em gelatina de prata, que é um processo usado ainda hoje nas películas preto e branco.

 

Os vídeos estão bem realizados e são um recurso interessante se quiserem saber mais sobre as fundações da fotografia moderna.

 

O Daguerreótipo

O processo Colódio

A impressão Albumen

O Woodburytype

A impressão de platina

A Impressão em Gelatina de Prata

 

Dia mundial da fotografia pinhole

Fotografia estenopeica ou de pinhole é hoje em dia o modo mais simples, mais low-fi de fazer fotografia analógica. Para isso só precisam de filme, um alfinete, uma caixa ou uma lata e alguma fita cola.

 

A pinhole consiste numa maneira de ver uma imagem real, através de uma câmara escura. De um pequeno orifício onde a luz é captada para dentro da câmara, e sofrendo um movimento de inversão, a imagem é projetada para a parede oposta ao orifício ao contrário. Para produzir uma imagem razoavelmente nítida, a abertura tem que ser um furo pequeno, na ordem de 0,5 mm ou menos. As câmaras pinhole requerem um tempo maior de exposição do que as câmaras convencionais, devido à pequena abertura; os tempos de exposição vão de 5 segundos a até mais de uma hora. Havendo também registos de exposições de 6 meses

 


Clifton Suspension Bridge por Justin Quinnell, exposição de 6 meses

 

É já no próximo dia 28 de Abril o dia mundial da fotografia pinhole, e até lá vamos disponibilizar no site e no facebook recursos para fazerem uma câmara pinhole, para já fica um aperitivo:

 

 

fonte - wiki

 

tags: 

Leica de Eisenstaedt vai a leilão

A Leica IIIa usada por Alfred Eisenstaedt para capturar a imagem histórica de um marinheiro a beijar uma enfermeira na Times Square em Nova Yorke no dia que os Estados Unidos derrotaram o Japão em agosto de 1945 vai a leilão no próximo dia 25 de Maio.

 

Eisenstaedt gostava tanto da câmara que a usou passados 50 anos para fotografar o presidente Clinton e a família.

 

A foto que foi publicada pela revista Life e se tornou o ícone do fim da segunda guerra mundial é descrita pela Life como sendo " indiscutivelmente a fotografia mais famosa do século 20".

 

 

Prevê-se que a câmara seja arrematada por mais de 20.000€.

 

Nada mau para uma câmara que não tem autofoco, fotómetro nem avanço automático do filme :D.

 

 

 

via amateur photographer

V-J day in times square na wiki 

 

 

 

 

Um rolo por semana durante um ano

O fotógrafo Travis Lawton chegou agora ao fim do seu projecto em que consitia em queimar um rolo todas as semanas durante um ano.

 

Um projecto destes parecia mais fácil, mas no fim de contas ele gastou 1.000$ entre equipamento, câmaras e processamento; tendo tirado 1500 fotos. O fotógrafo reconhece que melhorou a sua técnica, pois cada fotografia que tira é mais pensada e controlada que no digital.

 

A seguir o vídeo e algumas fotos do projecto:

 

 

 

 

 

Para mais detalhes visitem o blog de Travis Lawton.

Google Art Project adiciona George Eastman House ao seu catálogo

O Google Art Project é uma parceria entre a Google e os mais prestigiados museus a nível mundial, o George Eastman House é o primeiro museu dedicado exclusivamente à fotografia a juntar-se ao projecto, partilhando para já 50 imagens.  

O Google Art Project permite ao utilizador ter uma percepção as obras como não teria no museu, permitindo fazer zoom para ver pequenos detalhes ou guardar as imagens na sua galeria. 

 

Com um espólio com mais de 400.000 fotografias e negativos desde a invenção da fotografia até aos dias de hoje, podermos ver esta coleção (ou parte dela) no conforto de nossas casas é um privilégio. 

 

George Eastman House no Google Art Project

fonte

 

tags: 

O lixo de uns é o ouro de outros

beijing silvermine

 

Beijing Silvermine é um projecto do francês Thomas Sauvin que se move por "centros de reciclagem" na China para comprar negativos, que são depois catalogados e digitalizados.

 

Esses negativos retratam 20 anos do quotidiano de um povo, que coincide com a abertura da China ao ocidente e apesar de grande parte das imagens serem banais no seu todo têm bastantes aspectos em comum: como a composição os lugares e os clichés.

 

 

Beijing Silvermine - Thomas Sauvin from Emiland Guillerme on Vimeo.

 

Nós por cá também temos um respigador de negativos: o Filipe Bonito

 

 

tags: