Blogue

Teste à nova química da Tetenal

No que toca à fotografia analógica pouco ou nada de novo tem saído nos últimos anos. A massificação do digital foi acompanhada pelo declínio da fotografia analógica e o consequente desinvestimento nos departamentos de inovação e pesquisa. Hoje em dia, poucas são as empresas que lançam algo digno de registo. A Tetenal é uma exceção.

Quase arrisco dizer que, desde 1996 - ano em que foi lançado o XTOL- não via um produto tão revolucionário como este!

 

Apresentamos os novos produtos da Tetenal:


Revelador PB Parvofin Tabs

Os comprimidos de revelador Parvofin são uma reformulação de um revelador que a Tetenal fabricava nos anos 50, actualizado para responder aos padrões de segurança mais recentes - por exemplo, o Borax foi substituído por um composto alternativo. 

 

Pensado para usado em múltiplos de 150ml, é necessário diluir os comprimidos em água quente (idealmente a uma temperatura entre 50-60º C) e deixar arrefecer até aos 20ºC. 

 

A solução de trabalho pode ser usada pura, ou pode ser diluída 1:1. O revelador pode ser usado tanto para filmes tradicionais como para filmes modernos, como Ilford Delta ou Kodak T-Max. É recomendada uma agitação constante durante os primeiros 30 segundos, seguida de agitação intermitente a cada 30 segundos. Os tempos variam de 4 a 8 minutos, dependendo do filme.

 

O fabricante dá tempos de revelação pura ou a chamada económica (1+1). É possível reutilizar a solução de trabalho, mas, sinceramente, vemos este produto como um revelador de banho perdido, ou seja, utilizar uma vez e deitar fora.

 

 

Fixador Superfix

O fixador Superfix usa um único tablet. A fórmula é a de um fixador rápido com vida útil medida em anos. Cada embalagem contém 20 comprimidos que farão 3 litros de fixador de filme que é capaz de fixar 30 filmes regulares, embora a capacidade se reduza a 20 rolos de Ilford Delta ou Kodak TMax. Alternativamente, os comprimidos podem fazer 4,5 litros de fixador de papel. 

 

Exemplo de Tri-X revelado com Parvofin:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Considerações finais

 

Devo confessar que a questão de diluir em água quente me deixou um pouco apreensivo, como se implicasse o desaparecimento do factor espontaneidade de uma sessão de revelação, tornando-a ser algo premeditado, mas não. 

 

Diluí o revelador e fixador no início de uma sessão de laboratório e, enquanto revelava outros filmes, deixei a solução arrefecer em banho maria. Ao fim da tarde revelei dois filmes com Parvofin no processador JOBO.

 

O resultado foi um negativo com um contraste equilibrado, grão fino e boa gama de cinzentos.

 

Como referi anteriormente, acho este produto fantástico, pela inovação que imagino ser necessária para um comprimido ter os componentes activos à escala, sem necessidade de fazer 1L ou 5L de solução. Como vantagens destaco a facilidade e segurança de uso, a longa vida útil (independentemente da temperatura) e os resultados reproduzíveis. 

 

Penso que esta linha da Tetenal é especialmente indicada para 3 grupos de utilizadores: 

1- consumidores esporádicos de filme, que conseguirão resultados constantes, diluindo apenas o que precisam;
2- utilizadores institucionais como escolas e universidades, pela facilidade e segurança de uso;
3- fotógrafos em viagem, que poderão fazer a revelação num quarto de hotel e evitar os raios-X dos aeroportos.

 

Por mim, só alterava mesmo a unidade de diluição para 250ml. ;) De resto, uma lufada de ar fresco muito bem vinda nesta área.

 

 

Podem comprar Parvofin Tabs e Superfix Tabs na nossa loja.

Ficha técnica do revelador disponivel aqui.

 

 

Português, Portugal

Teste ao Bergger Pancro 400

Fotografei o Bergger 3 vezes e nunca publiquei porque achei que não tinha os resultados que gostaria de mostrar.

Como nunca falámos sobre o Bergger, pensei que seria importante tentarmos primeiro perceber o que podemos esperar deste filme.

Um pouco de história

O Bergger Pancro 400 é muito recente. Pertence a uma vasta listagem e filmes que surgiram em 2017. No entanto a marca Bergger, nascida em 1995, é uma das ultimas empresas francesas especializada na fabricação de superfícies fotossensíveis. Graças ao legado de Guy Gérard, o químico Guilleminot e o especialista em economia Daniel Boucher, a Bergger conseguir resistir à nova era digital e destacar-se no mercado de fotografia.

A Bergger tem uma vasta gama de produtos, desde papel para ampliação, química para revelar e diversos tipos de formato de lme que vai do 35mm até a 4 tamanhos de chapas para grande formato.

Características do Pancro 400

Bergger Pancro 400 é um filme pancromático com uma característica particular.

É um filme de dupla emulsão que combina dois compostos químicos diferentes - Brometo de prata e Iodeto de prata. Diferem pelo tamanho do seu grão e estas propriedades permitem uma ampla latitude de exposição. Incluí uma camada anti-ondulação e uma anti-halo.

 

Apesar de ter 3 rolos revelados com diferentes reveladores, a principal característica comum aos 3 é o contraste. Tem também uma gama de cinzentos muito bonita e uma latitude tonal muito completa. Isto signica que podemos errar alguns stops que ele perdoa. As sombras são muito bonitas e vibrantes. Notei que quando subexposto há uma tendência em car mais contrastado, mas sem perder muito detalhe nos pretos.

 

Olhando para os meus resultados posso dizer que o grão é o único parâmetro que difere consoante o tipo de revelador usado.

Com o D76 e o Rodinal, o grão é evidente e pessoalmente achei demasiado presente para um rolo de ISO 400, comparando por exemplo com o Ilford HP5+, mesmo sendo de constituição diferente. O Bergger PMK deu-me um resultado com o grão mais fino e uma nitidez muito mais evidente.

 

Bergger Pancro 400 com Kodak D76 Stock

Bergger Pancro 400 com Rodinal (1+25)

Bergger Pancro 400 com PMK (1+2+100)

Bergger PMK – Porquê um resultado mais equilibrado e nítido?

PMK – Pyro Metol Kodalk Pyro – Ácido pirogálico (composto químico)

 

O pyro é dos reveladores mais antigos usados na revelação a preto e branco. Bastante dominante no século XIX, mas esquecido durante o século XX.

Pyro oferece um aumento da qualidade de impressão e capacidade de registar as diferenças subtis de luz. A nitidez, separação de tons e o grão mais fino são propriedades melhoradas nos negativos. O destaques são muito detalhados. A mancha amarelada que fica no negativo é bastante característica deste revelador, conhecido como um Stain Developer. A quantidade da mancha é proporcional à densidade da prata, melhorando a tonalidade e reduzindo o grão.

Bergger PMK é um revelador pyro com a sua formula baseada na original de Gordon Hutchings. Fun fact: Numas das suas palestras sobre reveladores pyro, Gordon foi abordado por um fotografo de casamentos, e este ofereceu-lhe dinheiro para manter a fórmula do revelador em segredo.

Foi com este revelador da Bergger que tive os melhores resultados com o Bergger Pancro 400.

Confesso que já tinha desistido de comprar este filme. Apesar das suas características bem distintas, o grão era um aspeto que não me deixava feliz. Perdia nitidez e lá se ia o encanto pelos contrastes tão característicos deste filme.

O PMK veio mudar a minha opinião em relação ao rolo e efetivamente torna possível tudo aquilo que promete.
Juntamente com o Bergger Pancro 400, potencia as melhores características deste filme.
Contrastes salientes, gama de cinzentos bastante completa e detalhes nas altas luzes sem retirar informação.

Bergger Pancro 400 com Kodak D76 Stock

Bergger Pancro 400 com Rodinal (1+25)

Bergger PMK

 

 

 

 

 

 

 

Bergger com Kodak D76 – Konica Auto S2 (35mm)
Bergger com Rodinal – Mamiya 645 (120)
Bergger com Bergger PMK – Mamiya 645 (120) 

 

Português, Portugal

Teste ao Ferrania P30

É impossível olhar para o Ferrania P30 sem primeiro conhecer alguma da história por trás da marca Ferrania. E tudo isto começa em 1882, com a Sociedade Italiana de Produtos Explosivos (SIPE) que teve bastante sucesso durante os períodos de guerra devido ao seu fornecimento de explosivos à base de nitrocelulose.

Numa fase de menos clientes, SIPE decidiu variar o seu mercado. Como as propriedades químicas dos seu explosivos eram muito idênticas ao do filme inicial, a SIPE juntamente com a Pathé Brothers (empresa francesa fabricante de materiais fotográficos) criaram a marca FILM Ferrania. Conseguiram fabricar produtos para fotografia e cinema a um custo razoável permitindo à marca alcançar uma posição de liderança mundial.
Essa posição coincide também com o lançamento das primeiras máquinas da Leica que transformou a fotografia de celulóide num produto de extremo sucesso.

Surgiram os primeiros formatos de cinema 16mm e os formatos de filme de 35mm e 120.

Ferrania tornou-se numa marca muito usada e cuidada pela escola de cinema italiana. Pasolini, DeSica, Rossellini e Fellini usaram ferrania em quase toda a sua carreira, sendo um grande influência para gerações futuras de artistas cineastas.

Foi o P30, filme a preto e branco a jóia da Ferrania, principalmente depois de ser usado no filme “Duas Mulheres”, estrelado por Sophia Loren e dirigido por Vittorio De Sica e também o sucesso de Fellini “8 1/2” estrelado por Marcello Mastroianni e Cláudia Cardinale que ganhou o Óscar de melhor filme estrangeiro.

A partir daqui a Ferrania desenvolveu de imediato uma versão de 35mm e 120 do P30 para que os fotógrafos da época pudessem ter a sensação “Fellini”.

No entanto, Ferrania não foi só a preto e branco. Ferrania color é a primeira emulsão a cores da marca. Infelizmente não foi muito bem recebida pelos cineastas devido à sua falta de sensibilidade.

Ferrania lançou ainda um filme slide calibrado para a luz do dia cuja qualidade nunca foi igualada pelos seus concorrentes. Desenvolveu também filme de raio X que não precisava de uma camara escura para processamento.

Foi a concorrência como a Fuji e Ilford, uma estratégia de marketing ambígua e a nova era digital que ditou o fim da Ferrania, fechando as portas em 2010.

Em 2013, Film Ferrania surge graças a uma angariação de fundos através de um crowdfunding. Esta ideia foi de Nicola Baldini e Marco Pagni, ambos ligados ao cinema e à fotografia de laboratório, tornando-se CEOs da Film Ferrania.
2017 marca o inicio da produção do P30 alpha, um filme pancromático de velocidade 80 ASA com grande teor de prata baseado na antiga formula usada nos filmes cinematográficos.

Vamos então à nossa visão técnica e gosto sobre o P30 da Ferrania.

O P30 é um rolo a preto e branco, pancromático com grande teor de prata o que resulta em imagens de grande contraste. É de ISO 80 ( baixa sensibilidade) e até agora está disponível no formato 35mm.

A grande quantidade de prata característica deste filme dá-nos imagens com muito contraste e quase nenhum grão. Consequentemente, esta caraterística torna o filme limitado na sua escala de cinzentos. Temos sombras muito negras e as altas luzes enérgicas e brilhantes. Não há perdão para erros de fotometria.

 

Tenho dois rolos P30 fotografados com a mesma máquina. Uma Olympus OM1.
A diferença dos dois foi na revelação onde foi usado reveladores e processamentos diferentes e um destes rolos foi exposto a +1 stop.

Os meus resultados têm uma certa incoerência. Num rolo de 36 fotogramas temos várias imagens diferentes, independentemente de termos fotografado na mesma altura do dia, à mesma hora e com os mesmo settings na máquina. O contraste vai variando.
Manter o foco sempre correto foi dos meus principais objetivos, pois queria ter a certeza de que teria imagens nítidas e detalhadas. Não tive em todas as imagens, apesar do cuidado.

O contraste é lindo. Dá este aspeto cinematográfico característico de que gosto muito.

O processamento do P30 é algo a ter em consideração. A marca Ferrania disponibiliza no seu site os tempos de revelação e processamento para cada revelador.

Tive a oportunidade de fotografar dois P30 e de vê-los processados de forma diferente.

 

 

Resultados

Ferrania P30 + Olympus OM1 – +1 stop revelado com Rodinal developer – agitação lenta (1 inversão lenta a cada 30s)

Ferrania P30 + Olympus OM1 – +1 stop revelado com HC-110 – agitação energética (5 inversões a cada 30s)

O Nuno revelou um dos P30 com o revelador Kodak HC-110 e eu usei o Rodinal.
O Nuno é um expertise em técnicas de laboratório fotográfico com vasto conhecimento em revelação. Tenho a certeza de que ele sabe prever o resultado de cada rolo para cada tipo de revelador/revelação.
Especificamente para o P30, um processamento mais lento dá resultados mais constantes. O P30 é um filme que não gosta de grandes agitações. Gosta de uma revelação calma e quase sem abanões. Certifiquem-se que o vosso tanque está cheio até cobrir o rolo por completo.

 

 

Considerações finais

Resumindo, para quem gosta daquele contraste romântico com um certo “glow” nas altas luzes e aspecto cinematográfico do preto e branco, o Ferrania P30 é com certeza uma opção a explorar.

 

 

Português, Portugal

Teste ao Kodak Vision 3 500T

Nikonos + 35 2.5 /15 2.8, por João Traveira

O Kodak Vision 3 500T é um filme rápido, balanceado para tungstênio (o que significa que funciona muito bem à noite, com luzes de néon brilhantes). Este é o stock que dá origem ao Cinestill 800.

Caracterizado por uma estrutura de grão fino, ampla faixa dinâmica e sensibilidade nominal flexível de um índice de 500, possui uma ampla latitude de exposição com excepcional controle das altas luzes numa variedade de condições de iluminação, variando de iluminação externa de alto contraste até situações de luz interna mista.

É um filme bastante versátil, possível de expor entre 400 e 800 sem perda de qualidade. Fotografado durante o dia, o resultado pode ter um cast azulado, mas com o filtro .85 essa situação é corrigida (considerar um EI de 320).

O nível de tecnologia presente nesta película confere-lhe uma robustez que permite que se empurre a revelação 1 ou 2 stops, com alterações ao nível do grão e cor.

 

Algum exemplos realizados com o 500T:

Nikon F5 + 50mm1.8G

Nikon F5 + 50mm1.8G

Nikon F5 + 50mm1.8G

Nikonos + 35 2.5 /15 2.8 + 500T@1600, por João Traveira

Nikonos + 35 2.5 /15 2.8, por João Traveira

Olympus OM-1, por Roberto Fiuza

Olympus OM-1 + 500T@1600, por Roberto Fiuza

Olympus OM-1, por Roberto Fiuza

 

Resumindo

Em suma, o Kodak Vision3 500T teve um desempenho notável. É uma película bastante versátil, como referimos antes, adequada a uma variedade de situações e de luz. Tem um grão fino, retém bastante informação nas sombras e pode ser fotografado com um índice de exposição de 800 a 1600 facilmente. 

 

Para além disso, a grande vantagem em relação aos demais, é que podes comprar um SP500T já com processamento incluído ao mesmo preço (quase) que um Cinestill 800!

Vê no nosso flickr mais fotos feitas com esta película, disponível para compra aqui.

 

 

Português, Portugal

Teste ao Kodak Vision 3 50D

 

O Vision3 50D é um filme de baixa velocidade da Kodak. Os filmes cinematográficos, quando bobinados em cassetes de 35mm, podem ser usados em câmaras fotográficas normais. Esta película possui um ISO realmente baixo ( 50 ), que é recomendado para cenas com luz do dia, ou situações cujo objectivo é fotografar retratos à luz do dia sem usar filtros ND. 

O "D"  vem de "Daylight”: este filme é balanceado para exposição com iluminação da luz do dia (5500K).

É uma película maravilhosa, que rende cores num modo muito realista.

 

A seguir, alguns exemplos feitos com 50D:

Ricoh ff 9s 50D@100, por Roberto Fiuza

Ricoh ff 9s 50D@100, por Roberto Fiuza

Canon AE1 c tokina 28mm 2.8, por Magda Pacheco

Nikon F100 + 35mm F, por Sabino Silva

Nikon F5 + 50mm1.8G

Konica Hexar AF

Leica M6 + 35mm cron

Olympus OM-1, por Roberto Fiuza

Olympus OM-2, por Nuno Cruz

Konica Hexar AF

 

Resumindo

Em suma, o Kodak Vision3 50D teve um desempenho incrivelmente bom. Tal como com outras películas da kodak, os tons são predominantemente quentes.

SIM ⇑

Retratos feitos com o diafragma aberto, mesmo com luz forte, com tons de pele agradáveis e baixa velocidade.
Ideal para paisagens, com margem para pós produção.
O grão é quase inexistente. 

 

NÃO ⇓

Se gostas de fotografar algo que requer velocidade.
s câmeras compactas e a sua abertura lenta terão problemas com este filme, mesmo à luz do dia.
Os rolos não têm código DX.

 

Vê no nosso flickr mais fotos feitas com esta película, disponível para compra aqui.

 

 

Português, Portugal

Kodak Vision 3 chega à Sagrada Película

 
Este projecto começou há uns meses atrás, quando comprei uma lata de Fuji Eterna, com o objectivo de bobinar e vender. Pensava eu em lançar uma película com um nome original. No fundo, pensava fazer o que qualquer marca respeitável no contexto da fotografia analógica faz hoje em dia: lançar uma película em nome próprio.
 
Dei muitas voltas à cabeça, mas nenhum nome me parecia suficientemente original e poderoso… Acabei por não chegar a conclusão nenhuma. 
 
Fiz nessa altura os primeiros testes, revelando película de cinema Fuji com química C-41 e removendo a remjet com bicarbonato de soda :D. Os resultados foram animadores, mas sabia no meu âmago que revelar com química C-41 era estar a tomar atalhos. Apesar de o resultado final poder ser quase perfeito, estaria a fazer um processo cruzado, porque, no fim de contas, película de cinema deve ser revelada com ENC2 ( revelador CD-3) e não C-41 (revelador CD-4).
 
Rapidamente se tornou claro que, se era para avançar, era para fazer bem. Os passos seguintes seguiram-se naturalmente: pesquisar sobre o processo, encomendar umas latas de Kodak Vision 3 e química ECN2, testar.
 

Os desafios

 

Escala

Tratando-se de película para cinema, tudo no processo é massivo. Estamos a falar de bobines de 122m, o que implica o uso de máquinas de revelação com tanques enormes. Neste processo, lido com recipientes de química de 30L que se destinam a ser diluídos em tanques de 100L. O desafio de diminuir a escala e realizar as medições com rigor é importante para garantir que a química se encontra nas condições ideais. 
 

A infame remjet

Para além da questão da escala, temos a remjet, cujo nome cujo nome se deve ao facto de, no processo original, ser removida com um jato de água ( remove-jet>remjet). 
A remjet é uma camada em carbono adicionada na base da película de cinema, que funciona como anti-halo e anti-estático, que lubrifica e protege contra riscos.
 
 
Se, numa câmara analógica, o filme se move relativamente devagar  (máx. 3-4 fps durante alguns segundos), numa câmara de filmar é diferente. A remjet actua como anti-estático durante esse movimento. Nalguns casos, as velocidades do filme são extremamente rápidas e precisam de protecção extra.
No caso da Cinestill, que vende as películas sem esta camada, é normal aparecerem ocasionalmente manchas vermelhas nas fotos, causadas pela reflexão de luz dentro da câmara.
 

O processo

Habituado a processos lineares como o C-41 ou o E-6, em que todos os químicos se encontram à mesma temperatura, no ECN2 o revelador deve estar a 41º e é o passo mais importante, em que pequenas variações de temperatura poderão conduzir a mudanças de cores. É preciso bastante atenção para que o processo decorra sem problemas. Depois do revelador, o processo é mais tolerante, podendo os restantes químicos estarem a 38º. 
No início do processo é dado um banho para amolecer a remjet e a mesma é retirada antes da revelação. É por este motivo que estas películas não devem ser reveladas em minilab: assim, contaminariam a química.
 
 

Testes

Foram convidados alguns fotógrafos amigos para testarem a película, pois interessava perceber o máximo de situações possível e o comportamento da mesma em relação a sombras/luz, bem como o modo como interpretava as cores.
No primeiro teste de revelação, ocorreram alguns problemas. No último passo, quando passei o squeegee, parecia que estava a apertar o pescoço a um choco. Depois de uma breve análise, verifiquei que os artefactos presentes eram restos de remjet que não foi removida por completo. As cores estavam perfeitas.
 
 
Na segunda sessão, essa situação foi corrigida e os resultados foram perfeitos:
 
 
 
Inspirados pelo início da kodak, vamos vender a película com processamento incluído (processamento = revelação + digitalização), de preferência em packs de quatro. Também vai ser possível comprar apenas um filme (com ou sem processo incluído).
Não criámos nomes espetaculares. Os filmes herdam os nome que lhe dão origem e vão ser chamados assim:
 
SP50D / SP250D / SP200T / SP500T
 
 
Primando pela qualidade, se revelamos slides com 6 banhos, vamos revelar película cinematográfica na sua química nativa - ECN2. Os rolos são bobinados manualmente, têm 36 exposições e estão disponíveis aqui.
 
 
Português, Portugal